I - PREPARAÇÃO ANTES DA PILOTAGEM.
2. MOTOCILISMO: ENTENDENDO OS RISCOS.
2.2. Equipamentos de segurança:
Tópicos:
1. Equipamentos de segurança:
1.1. Equipamentos essenciais – de uso pessoal:
1.2. Equipamentos complementares:
1.3. Acessórios de segurança para a motocicleta:
1. Equipamentos de segurança:
Os equipamentos de segurança para motociclismo são essenciais para proteger o corpo contra impactos e abrasões em caso de acidentes. O uso correto reduz drasticamente a gravidade das lesões. Os principais itens de proteção dividem-se em essenciais, complementares e acessórios para a motocicleta.
1.1. Equipamentos essenciais – de uso pessoal:
❋ Capacete:
É o item mais importante e obrigatório por lei. Deve possuir o selo do INMETRO e cobrir toda a cabeça (fechado ou articulado). Vejamos como são fabricados:
❊ Casco Externo – que possui baixo coeficiente de memória, ou seja, ao receber uma “pancada”, ele vai deformar de forma imperceptível e logo depois, numa fração de segundo, irá retornar à forma que foi moldado. Pode ser de plástico injetado, bi composto, tri-composto – plástico injetado mais outro material para conferir mais resistência – por exemplo: kevlar, aramida e carbono ou somente carbono;
❊ Viseira – ela é fundamental e deve ser de um policarbonato com bom coeficiente de resistência balístico – resistente à quebra e não estilhaçar (ato ou efeito de estilhaçar, de reduzir a pedaços; fragmentação). É importante entender que os policarbonatos mais frágeis tendem a riscar com facilidade e, quando eles riscam, existe uma diminuição do campo visual em função da sujeira retida, principalmente nos dias de chuva;
❊ Sinta Jugular;
❊ Isopor – que efetivamente protege nossa cabeça (especifico no que diz respeito a sua densidade, é feito para resistir aos impactos numa área considerável – objetos pontiagudos marcam o isopor, mas pressão através de áreas maiores não).
É preciso atenção, pois possuem alto coeficiente de memória, onde reside um grave problema: o isopor é grudado no plástico – literalmente colado no casco do capacete – e quando o casco do capacete bate no chão, ele se deforma empurrando o isopor que também se deforma – o casco do capacete volta, mas o isopor continua amassado (continua vincado);
❊ Forro (em cores diversas; forro de couro, de nylon, enfim, uma variedade de coisas).
Os preços dos capacetes variam, justamente em função da qualidade e quantidade de materiais empregados. Quanto mais pobre ou mais simples é o material, como plástico injetado, maior a probabilidade deste material deformar.
Um dos testes utilizados para avaliar a resistência do capacete é o “drop test” (teste de queda) onde se determina a resistência de deformação do casco:
❊ Plástico não irá se deformar ou ficará intacto em quedas de, no máximo, 70 a 90 cm;
❊ Composto ou bi composto, resistência 1,20 m;
❊ Tri-composto, resistência 1,50 m;
❊ Carbono, resistência superior a 2,00 m.
Capacetes não possuem prazo de validade, não é um bem perecível (existe uma indicação, através de uma resolução do Contran, onde os fabricantes indicam os prazos de aplicação e eficiência dos seus equipamentos – no Brasil, entre três e cinco anos).
Bom estado de conservação é essencial em uma fiscalização (o policial não pode te parar e exigir que o seu capacete esteja no prazo de validade, porque não há prazo de validade – o policial pode e irá exigir a troca no capacete se estiver apresentando danos, alegando que está sem nenhuma condição de uso).
Capacetes são projetados para um único impacto, seja esse impacto a 80 cm do chão ou a 60 km/h. É claro que os materiais mais nobres têm um nível de resistência global maior – quando falamos de um capacete de carbono, um capacete bi ou tri composto, ele é muito mais resistente do que um capacete de plástico simples.
❋ Jaqueta de Proteção:
A jaqueta é considerada uma das peças mais importantes depois do capacete. O importante é ter atenção para o uso de materiais com uma boa resistência à abrasão, ou seja, materiais que, no caso de um acidente – caso arraste no asfalto – não se desgastem com tanta facilidade. Esses materiais precisam ter um bom coeficiente de rasgo a frio, ou seja, qualidade e garantia de que vai sofrer atrito e abrasão, mas não ira gerar temperatura. Tenha atenção às proteções de cotovelos, ombros e coluna.
Gradualmente, em ordem decrescente, de preferência para:
❊ Couro antiabrasivo – as jaquetas de couro possuem um uso específico, para garantir maior eficiência contra abrasão, ou seja, situações onde a velocidade é evidente ou, mais especificamente na estrada (possui a desvantagem de limitar os movimentos e, quando molhada, fica muito pesada).
❊ Cordura (apresentam altíssima resistência à abrasão, rasgamento e perfuração). Um pouco mais cara, é feita com material sintético, porém trançado dezenas de milhares de vezes. Ela tem na sua composição muitos materiais distintos como, por exemplo, kevlar, aramida e outros tipos de manta. A jaqueta de cordura oferece uma excelente proteção contra abrasão e não gera temperatura.
❊ Jeans - não gera a temperatura e que traz certa resistência. Caso o bolso esteja apertado, existem jaquetas jeans próprias para o motociclismo, com as proteções, e um jeans mais grosso, mais resistente.
Nunca use nylon e seus derivados, pois esses materiais geram temperatura (não irá pegar fogo, mas ele entra num princípio de pré-derretimento), podendo “grudar” na pele. Não é uma boa ideia usar apenas uma capa de chuva com uma camiseta por baixo, porque a capa de chuva, via de regra, é feita de nylon – capa de chuva é um item que se deve usar sobre a jaqueta.
❋ Luvas:
Luvas são essenciais e devem ser de boa qualidade (a luva é a primeira barreira de encontro da mão com asfalto) – uma luva de couro é a recomendada porque, como já vimos, tem uma resistência à abrasão indiscutível. Importante ter proteção de metacarpianos (rígida) com couro ou material similar na palma. Luvas ainda melhoram a aderência na pilotagem e protegem contra o frio ou chuva.
❋ Calça de Motociclista:
Calças (novamente, deve ter bom coeficiente de rasgo a frio – qualidade e garantia de que vai sofrer atrito e abrasão, mas não ira gerar temperatura). Assim como a jaqueta, deve possuir reforços nos quadris e joelhos. Sempre dê preferência para:
❊ Couro – seguem o mesmo raciocínio das jaquetas – maior eficiência contra abrasão, ou seja, situações onde a velocidade é evidente ou, mais especificamente na estrada (possui a desvantagem de limitar os movimentos e, quando molhada, fica muito pesada).
❊ Cordura – não é uma opção usual – para uso no dia a dia. Mas, fazendo par com a jaqueta de cordura é uma opção excelente para uma viagem na estrada. Para o uso no dia a dia, uma boa opção de conjunto é uma boa calça jeans – uma calça jeans mais grossa, mais resistente – com uma boa jaqueta de cordura e suas camadas de tecido interno usuais.
❊ Jeans – podemos falar de uma calça jeans convencional, que tem um nível de abrasão aceitável. Não é a melhor das opções, mas importante é que ela não gera a temperatura – quando ela começa a esfarelar, não irá “grudar” na pele, como é o caso do nylon. Existem opções de calças jeans próprias para o motociclismo, com um jeans mais estruturado e forração – uma espécie de manta interna que ajuda a proteger contra a questão de abrasão. Existem calças jeans com muito poder de resistência contra abrasão, que são bem acessíveis e é um material que dá para se usar o dia inteiro.
Nunca short, bermudas, moletons e nylon.
❋ Botas:
Botas devem ter cano alto, solado antiderrapante, com boa qualidade e bom coeficiente de abrasão, como é, por exemplo, o couro. É importante que a junção entre o solado e o cabedal tenha uma boa colagem e, se possível, também seja costurado. Botas de EPI podem ser uma solução mais barata, mas sem a biqueira de metal. Calçados adequados devem proteger os pés, calcanhares e tornozelos contra torções e impactos diretos.
1.2. Equipamentos complementares:
❋ Colete ou protetor de coluna:
Garante uma blindagem extra para a região da coluna vertebral, absorvendo impactos severos.
❋ Joelheiras e cotoveleiras articuladas:
Muito utilizadas para modalidades off-road, garantem a proteção das articulações contra impactos.
❋ Jaqueta com Airbag:
A evolução da proteção pessoal. O sistema infla em frações de segundo antes do impacto, protegendo o pescoço, tórax e coluna.
1.3. Acessórios de segurança para a motocicleta:
❋ Antena corta-pipa:
Protege o motociclista contra linhas de pipa com cerol ou linhas chilenas.
❋ Protetor de Motor (mata-cachorro):
Evita que o motor sofra danos severos em quedas e também protege as pernas do motociclista caso a motocicleta tombe.
❋ Slider / protetor de carenagem:
Acessório posicionado nas laterais da motocicleta para absorver o impacto e o atrito em caso de deslizamento.
❋ Protetor de manete:
Evita que o freio ou a embreagem sejam acionados acidentalmente caso a motocicleta encoste em outro veículo no trânsito.
Elementos refletivos em roupas, coletes, mochilas e até mesmo na motocicleta, aumentam a visibilidade à noite e em condições de baixa luminosidade.
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FIQUE ATENTO! |
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Voltando ao assunto capacete, existe um princípio de dissipação de força que é importante entender – o chamado “trilho de força”. |
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Esse princípio diz que uma força aplicada em uma superfície redonda tende a se dissipar de maneira uniforme pela superfície como um todo. É mais ou menos assim: se cair e bater a cabeça em um lado do capacete, a força tende a se dissipar, se espalhar, se esparramar pela superfície redonda, de maneira uniforme e como um todo. Só que aqui encontramos um problema: o princípio diz que a superfície deve ser totalmente redonda, sem calosidade, deformação ou outra coisa que faça com que a força se concentre naquele ponto. Ao se derrubar o capacete, o isopor amassa e não volta mais – cria-se uma deformação naquele ponto de contato. Caso venha a se acidentar e, mesmo batendo em outo ponto, a força do impacto começa a se esparramar e quando chega naquele ponto da primeira queda, ela se concentra, porque ali que existe uma deformação do isopor – se o isopor estiver danificado, deformado, a força de concentrará neste ponto.
É muito comum em acidentes, os bombeiros recolherem o capacete executando uma marcação no ponto de impacto:
De acordo com a imagem (uso do capacete X áreas atingidas em acidente), dê preferência aos capacetes fechados (índice de proteção maior e mais leve) e com uma ótima viseira – o maior percentual de impacto em caso de acidentes reside na queixeira. Quando resolvemos usar um capacete aberto, já saímos de casa com 15 a 19% a mais de chance de bater os lados do queixo. Imagina agora os capacetes que não possuem a queixeira.
Pode se ter uma motocicleta mais antiga, desde que esteja plena, com todos os comandos, pneu, tudo funcionando – pode não ser a motocicleta mais nova do mundo, mas o capacete tem que ser o melhor que puder comprar. Muitas vezes escutamos as pessoas dizendo que o capacete vale mais que a motocicleta. Deixe falarem! Não abra mão de um ótimo capacete!
Notas de rodapé:
Bibliografia:
ABNT. NBR 7471 — Capacete para condutores e passageiros de motocicletas e similares.
BRASIL. CONTRAN. Legislação de trânsito e equipamentos obrigatórios para motociclistas.
INMETRO. Requisitos de avaliação da conformidade para capacetes de motocicletas.
HURT, H. H. et al. Motorcycle Accident Cause Factors and Identification of Countermeasures. University of Southern California, 1981.
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